18 junho 2009
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20 maio 2009
pesca
15 maio 2009
PRESENTE DE ANIVERSÁRIO
Acordou logo com um sorriso, daqueles bonitos, de encher a cara de coragem e exibir os dentes sem nem perceber. Direto encaminhou-se para a cozinha. No caminho, a sala. Em cima da mesa pequena de centro um embrulho e um bilhete em cima. Como esse não era dia ordinário, esquivou-se sem titubear. Embrulho feito à mão, era de se notar. Caprichado, porém.
Aquele papel lhe saltou aos olhos e subitamente as letras já quase se encostavam aos cílios. ‘Espero que goste. Com carinho, Eu’. Aqueles vocábulos só enriqueceram sua curiosidade. Meticulosamente, como é de seu feitio, foi descolando cada dobradura daquele quase-origami. O papel azul, com desenhos incompreensíveis escondia um segredo. Precisava desvendá-lo.
Por um momento foi tomado por um surto raivoso, de ansiedade, de uma agonia de aniversariante. Foi conjecturando mentalmente, e expressava nos olhares, nas sutis movimentações das suas bochechas, dos seus lábios, o que tanto podia ser. Depois chegou o medo: de não gostar, de ser incômodo, de ser aquém das expectativas, de ser menos.
Convenceu-se então de que não, só poderia gostar. Não faria sentido.
As cores foram saltando aos olhos e as quinas junto.
De repente, aquele olhar apreensivo se escondeu depois de ser bruscamente expulso por um olhar esbugalhado, brilhante, que acompanhava um abrir de boca impressionante, até.
Pegou-a, abraçou-a junto ao peito com um carinho tão imenso quanto indescritível. Foi quando o turbilhão de nostalgias saltitantes deu aquele rosto um contentamento contente.
Correu de volta ao quarto, fechou a porta e, em sua cômoda, cuidadosamente, depositou-a. Fica bem aqui, pensou.
Por fim, foi a vez do misterioso sorriso envolvente. Esse permaneceria pro resto do dia. O conforto trouxe calma e a calma fez seu papel de ajeitar.
28 abril 2009
Por não estarem distraídos...
Clarisse Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.