27 dezembro 2008

minha.

você pertence à minha imaginação.
você é minha. minha!
tudo seu é um pouco meu, porque te vejo com olhos de quem não enxerga nada.
preciso de você pra crer no que as minhas memórias cismam mostrar: o tom pastel da sua pele suave; o rosado da sua boca - toda desenhada e entreaberta, procurando, no silêncio ofegante, léxicos condizentes ao momentos. sei de cór cada um dos teus olhares e os jeitos únicos que tens de mover as sobrancelhas. ah, e a mão, quanto toca o pescoço, ali na nuca, com a cabeça meio que cabisbaixa e a mordidinha no canto direito da boca...
essa é a MINHA careta. não ouse usá-la com outra.



agora,bem agora, não suportaria mais ouvir um mínimo ruído desafinadinho que saísse pelos seus lábios. sei que, por muitas vezes, eles são jogados por insistência de minha parte, mas agora peço que se recolham as palavras.

não me perdoe;
não me esqueça;
não durma com outro pijama;
não mude de perfume;
não ouse mudar.

hoje eu senti ciúmes e não soube como dizer. fiquei tomada por esse sentimento bobo e inseguro que costuma dar nos apaixonados possessivos.
cansei de afirmar que ele não me habitava, mas, assim como eu preciso aceitar que pertence, você tem que saber que serás (sempre) minha.

22 dezembro 2008

tome seu tempo.
faça bom uso e só me avise quando estiveres pronta.

menina, não deu pra entender ainda?
quantas vezes preciso tentar te convencer de que é você?
nem a sombra te descreve, nem seus passos traçam teu rumo.

fica aqui, tão perto, tão minha, tão nossa, tão nua, tão calorosamente, tão sêca, tão resumidamente minha.

01 dezembro 2008

gala

meiados do fim do ano. céu aberto, limpo, limpinho. estrelas radiantes e luminosa lua formavam uma paisagem de cartão postal - não podia ser melhor dia. 

o traje impecável mostrava, da fivela presa no cabelo ao bico fino do salto, toda a beleza que costumava se ofuscar dentro dos jeans antigos, camiseta básica e all star sujo.
aquele não era um dia ordinário. não era também uma data comemorativa. 

chegou, acompanhada da amiga igualmente produzida, à festa. dispensável dizer que logo tomara a atenção de boa parte dos convidados que, já levemente embriagados, se dispunham atrapalhadamente pelos cantos.
alguns comentavam, como cochichos. outros não conseguiam emitir som algum. havia aqueles que nem se davam o trabalho de reparar, pois o estado etílico já era notável.


as músicas foram passando e a atenção foi se dissipando. os copos vinham e vazios, rapidamente, voltavam às mãos dos garçons. chegou a decorar seus nomes até. tratamento especial recebeu a noite toda. a pista era como um entretenimento bom de assistir. a altura do salto não as permitia participar daquela orgia pacífica.

ficaram então as duas ali - sentadas, bebendo, observando. mal trocavam palavras. sussuravam onomatopéias como se a comunicação não precisasse ser concluída pra que houvesse entendimento. 

não foram as primeiras a se despedirem, mas não viram o sol nascer.


dia seguinte chegou e as fantasias foram depositadas no fundo do armário. a postura se curvou um pouco e e o soriso já mostrava os dentes.
foram então ao boteco de esquina, com banheiro sujo, copos feios e garçons mal educados. 
falavam tanto e tão alto que chagavam a reclamar do barulho. ninguém as notava senão por isso, mas o conforto de poder sentar com as pernas dispostas sem tanta classe era precioso demais.