
Sozinho, sentado na praia de Ipanema, fones nos ouvidos, Chico parecia cantar aquela cena, que me agradava tanto, mas que seria incapaz de traduzir. Aqueles homens e mulheres, uns exibindo-se para os outros, misturados no mesmo campo de batalha, mas isolados nos seus grupinhos. Prepotentes, eles querem controlá-las. Não sei você, mas eu rio da ilusão.
"Não é por estar na sua presença, meu prezado rapaz
Mas você vai mal, mas vai mal demais", isso, Chico.
São dez horas, o sol tá quente
Deixa a morena contente, aquela ali,
Deixe a menina desfilar em paz, foi como cantei para mim mesmo.
Eu não queria contar vantagem, mas tenho que dizer, tenho mesmo:
Cê tá de lascar, cê tá de doer, mas não é?
E se vai continuar enrustido com essa cara de marido, ri de deboche,
A moça é capaz de se aborrecer, e aí quem vai chegar como o bonzinho? Quem?
"Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz", como assim, Chico? Não faz assim comigo não...
E atrás dessa mulher, mil homens sempre... Tão gentis?
Por isso, para o seu bem, cara, ou joga água na cabeça,
Ou mereça a moça que você ainda não tem... Agora a compaixão me fez ter pena, do pobre coitado, sentado ao meu lado. Mas continuei cantando:
"Não sei se é pra ficar exultante, meu querido rapaz", esse querido me soa tão cínico, e bem similar com o que sinto.
"Mas aqui ninguém o aguenta mais", você ainda não entendeu? Quer que eu desenhe?
São três horas, o sol tá bem quente
Deixa a mulata contente, a loirinha, a ruiva, a gringa...
Deixe a menina rebolar em paz, deixa.
Vamos apreciar a vista juntos...
Voltar à página inicial