
Dentro de meu apartamento, paisagem deslumbrante lá fora, mas só enxergava o cinza. Aqueles fios levavam tantos turistas para uma nova vista, um cartão postal que, para mim, era que nem aqueles quadros que a gente tem em casa, pendurados na parede... Depois de um tempo, eles se incorporam à tinta da parede e você nem repara mais.
Tanta disposição para ver as cores do mundo e eu incapaz de abrir aquela maldita porta, que me separava de tudo isso, tudo que um dia eu achei tão bonito, tão viva como as águas não cansavam de bater naquele areal e voltar lá para o fundo, já com pressa de voltar.
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Me prendi, as grades me travaram e a mala, que tirei do armário há semanas, ainda está vazia de coragem e não mudava nada, ela cada dia me irritava mais e me encurralava naquela casa que já não era mais nossa, nem minha. Era dela. Aquele mundo era o dela. E eu, covarde, fico olhando nessa lente mentirosa, que acha que tudo é bonito. Quer saber, cansei, vou-me embora, querida.
Mas na volta lhe trago o cigarro.
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