O interessante na nossa memória é que, apesar de podermos criar divisões ou categorias para tentar especificá-las, aquilo que ficou registrado dentro de nós se espalha, assim como os sentidos se buscam, fazendo com que as lembranças ficam encarnadas em nós, e o corpo inteiro parece se lembrar daquilo, seja lá o que for.
Assim como nos filmes, novelas, livros e qualquer tipo de narrativa, as fotos nos contam uma história, nos situam em um contexto. Sem dúvidas, a resposta dada a estímulos iguais é intrínseca à personalidade individual de cada ser.
Desejo, vontade, curiosidade, tesão, carinho, conforto, afeto, compaixão, saudosismo, pena, excitação, estranhamento, ódio, repulsa, nojo, horror, ... , indiferença. Seja qual for a sensação que uma imagem te passe, se você realmente olhar para ela, você não será ao mesmo – terá desbravado um mundo novo, talvez familiar, ou aventureiro e obscuro.
E, será que se pode criar memórias visuais? Ora, o papel desenvolvido por profissionais de marketing, publicidade, e até o seu vizinho, acabam contribuindo com mais um grão da massa cinzenta. As narrativas têm esse poder de tentar te trazer para um mundo paralelo, que você acredita que pode existir, e os profissionais de comunicação tentam te aproximar desse mundo mágico que sua companhia para qual trabalham traz como filosofia, na grande maioria das vezes através de uma imagem, fazendo criar um burburinho brilhante novo, que é fixado pela propaganda.
Mas, e quando aquela memória guardada se confronta com um novo panorama que, em todos
os sentidos da palavra, choca demais, estilhaçando a vidraça que protegia aquela lembrança que, por ser tão nossa, imaginávamos ser intocável? Por mais que às vezes pareça melhor só ignorar, o desenrolo da história está lá, inerente à nossa vontade. Algumas surpresas são boas, outras viram decepções, mas sempre são impactantes.
E você? Que imagens estão arquivadas no seu hard drive?
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28 novembro 2010
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