o que te estraga é só esse jeito pomposo de achar previsível o que, nem sempre, é.
não entregue sem hesitar; não se mantenha nessa posição por muito tempo.
sei que muitos a acham charmosa, classuda, elegante - meros espectadores do seu showzinho.
um bom crítico veria as falhas nas suas esquinas - totalmente inseguras de onde a curva toma forma.
besta.
era este o patamar que pretendia chegar?
bom, espero que toda essa mesquinharia traga-te um conforto bem grande, pois precisarás.
vou ali fumar um cigarro, tá?
29 setembro 2008
19 setembro 2008
eliem
Coitado. A pior das sensações era a de sentir-se inútil, imprestável. Não lhe era suficiente a boa vontade, o querer ajudar e não saber nem por onde começar.
Era estabanado. Também, como havia de ser.
Seus dias eram todos regrados e calculados dentro de si, onde a memória não lhe falhava. Acorda cedo, cerca de seis, sete da manhã. Pega o jornal - gosta de estar muito bem informado -, mas nem sempre consegue lê-lo o quanto queria. Toma seu café de todos os dias e começa o ritual de saída. Abrir a gaveta, pegar uma bermuda; em outra, a meia; até que o figurino fique todo completo.
Sai então de casa, cumprimentando metade das pessoas que passam. Praticamente fora criado ali e, agora, com seus cinqüênta e sete anos, é figura batida pela redondeza. Desce a rua e ruma pra sua caminhada matinal, diurna e sagrada.
As mais diversas pessoas passam e alguns,que o conhecem, chegam a achá-lo antipático ou até mesmo mal educado. Ele nem sempre cumprimenta as pessoas. Mas garanto: nunca foi por falta de querer.
Voltando, pára no bar de esquina - onde já é quase sócio, de tanto que fica lá. Quando passa é um alvoroço só, gritando seu nome, chamando-o pra só uma cervejinha. Essa se estende e, quando percebe, foram-se inúmeras durante papos com um ou outro, ou sozinho mesmo.
Tem um lado carinhoso e atencioso que faz com que ele sempre compre alguma coisa - seja uma garrafinha de água de coco ou outra coisa boba assim - pra levar para sua mãe, que é sua vizinha. Não tem é muita paciência. Toca a campainha e, antes mesmo que alguém pudesse alcançar a porta para atendê-la, ele já pôs o presentinho em uma das cadeiras dispostas na varandinha de entrada e rumou para casa...
Pela tarde, tira um cochilo. Não que esteja ou se sinta velho, muito pelo contrário. Sua cabeça é acelerada demais, seu corpo não consegue ficar quieto por muito tempo, mas ele sabe das limitações que tem. Entende que aquele mundo ao redor dele, aquele que já mapeou mentalmente, é seu limite. Esse sono é mais pra descansar a cabeça, não surtar.
Mais tarde ele volta a se arrumar: uma blusa branca(só tem blusas brancas, que é pra não ter como confundir a cor), uma calça jeans, cueca, meia e sapato. Gosta de ficar bonito, e fica.
Repete a descida da rua, procurando um bar para beber. Conhece todos os existentes aqui por perto. Vai de um pra outro procurando companhia para beber. É como se fosse um ópio que o faz conseguir levar as coisas.
Muitos o chamam de alcoolatra, eu digo que, dentro de suas condições, ele se vira e passa seus dias feliz, como seria difícil ver outrem conseguindo ter.
Era estabanado. Também, como havia de ser.
Seus dias eram todos regrados e calculados dentro de si, onde a memória não lhe falhava. Acorda cedo, cerca de seis, sete da manhã. Pega o jornal - gosta de estar muito bem informado -, mas nem sempre consegue lê-lo o quanto queria. Toma seu café de todos os dias e começa o ritual de saída. Abrir a gaveta, pegar uma bermuda; em outra, a meia; até que o figurino fique todo completo.
Sai então de casa, cumprimentando metade das pessoas que passam. Praticamente fora criado ali e, agora, com seus cinqüênta e sete anos, é figura batida pela redondeza. Desce a rua e ruma pra sua caminhada matinal, diurna e sagrada.
As mais diversas pessoas passam e alguns,que o conhecem, chegam a achá-lo antipático ou até mesmo mal educado. Ele nem sempre cumprimenta as pessoas. Mas garanto: nunca foi por falta de querer.
Voltando, pára no bar de esquina - onde já é quase sócio, de tanto que fica lá. Quando passa é um alvoroço só, gritando seu nome, chamando-o pra só uma cervejinha. Essa se estende e, quando percebe, foram-se inúmeras durante papos com um ou outro, ou sozinho mesmo.
Tem um lado carinhoso e atencioso que faz com que ele sempre compre alguma coisa - seja uma garrafinha de água de coco ou outra coisa boba assim - pra levar para sua mãe, que é sua vizinha. Não tem é muita paciência. Toca a campainha e, antes mesmo que alguém pudesse alcançar a porta para atendê-la, ele já pôs o presentinho em uma das cadeiras dispostas na varandinha de entrada e rumou para casa...
Pela tarde, tira um cochilo. Não que esteja ou se sinta velho, muito pelo contrário. Sua cabeça é acelerada demais, seu corpo não consegue ficar quieto por muito tempo, mas ele sabe das limitações que tem. Entende que aquele mundo ao redor dele, aquele que já mapeou mentalmente, é seu limite. Esse sono é mais pra descansar a cabeça, não surtar.
Mais tarde ele volta a se arrumar: uma blusa branca(só tem blusas brancas, que é pra não ter como confundir a cor), uma calça jeans, cueca, meia e sapato. Gosta de ficar bonito, e fica.
Repete a descida da rua, procurando um bar para beber. Conhece todos os existentes aqui por perto. Vai de um pra outro procurando companhia para beber. É como se fosse um ópio que o faz conseguir levar as coisas.
Muitos o chamam de alcoolatra, eu digo que, dentro de suas condições, ele se vira e passa seus dias feliz, como seria difícil ver outrem conseguindo ter.
17 setembro 2008
sem
se tudo que passamos não lhe satisfez,
desculpe-me... não soube enxergar tuas carências.
acaso tenha trocado seu nome, confundido as palavras,
queria que acreditasse que é puro nervosisto trazido com a lembrança do teu rosto.
quando teu cheiro deixou de marear meus dias
pedi que regressasse, daonde quer que estivesses, imediatamente.
a dobradura da roupa tem outra forma;
o amassado do travesseiro fica diferente;
a música troca de ritmo, e talvez até de tom;
a pressão chega, inevitavelmente - atordoa.
toco-te sem sentir,
lembro sem querer esquecer
e aqueço o fogo da panela, esperando chegar o fim do dia.
desculpe-me... não soube enxergar tuas carências.
acaso tenha trocado seu nome, confundido as palavras,
queria que acreditasse que é puro nervosisto trazido com a lembrança do teu rosto.
quando teu cheiro deixou de marear meus dias
pedi que regressasse, daonde quer que estivesses, imediatamente.
a dobradura da roupa tem outra forma;
o amassado do travesseiro fica diferente;
a música troca de ritmo, e talvez até de tom;
a pressão chega, inevitavelmente - atordoa.
toco-te sem sentir,
lembro sem querer esquecer
e aqueço o fogo da panela, esperando chegar o fim do dia.
05 setembro 2008
times of choices:
daqui em diante, não há volta.
aviso-te logo para que não me venha com mazelas dengosas.
pode vir depois, chegue atrasada, mas venha.
por favor, não hesite, não duvide, não fraqueje.
conheço bem esse seu duelo pessoal,
sei exatamente o ponto que lhe é incômodo..
então, confie: o avesso, não o contrário.
aviso-te logo para que não me venha com mazelas dengosas.
pode vir depois, chegue atrasada, mas venha.
por favor, não hesite, não duvide, não fraqueje.
conheço bem esse seu duelo pessoal,
sei exatamente o ponto que lhe é incômodo..
então, confie: o avesso, não o contrário.
03 setembro 2008
Pobrezinha, tão indefeza, inocente... lembra a minguada feição do cão abandonado.
Tadinha...até se esforça, nossa!
Fez seu próprio juízo e decretou a sentença que lhe foi conveniente, camuflando qualquer sombra de oposição que pudesse haver.
Coitada o caralho!
Vide verso e as letras não serão daquelas minúsculas, que precisam de lupa. Serão garrafais e incriminantes: medrosa!
Dê-me um argumento plausível além da insegurança...
Tadinha...até se esforça, nossa!
Fez seu próprio juízo e decretou a sentença que lhe foi conveniente, camuflando qualquer sombra de oposição que pudesse haver.
Coitada o caralho!
Vide verso e as letras não serão daquelas minúsculas, que precisam de lupa. Serão garrafais e incriminantes: medrosa!
Dê-me um argumento plausível além da insegurança...
01 setembro 2008
não mude por mim, nem por ninguém;
não trate comigo assuntos supérfulos;
não chore a toa;
não ria a toa;
não me toque sem propósito;
não me irrite se não for sério;
não troque de blusa se não quiser;
não sonhe além da sua vontade;
não consuma os dias sem prazer;
não desfaça teias complexas;
não tente me entender.
não é necessário, é inútil.
não trate comigo assuntos supérfulos;
não chore a toa;
não ria a toa;
não me toque sem propósito;
não me irrite se não for sério;
não troque de blusa se não quiser;
não sonhe além da sua vontade;
não consuma os dias sem prazer;
não desfaça teias complexas;
não tente me entender.
não é necessário, é inútil.
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