paraste e notaste -
vi-te levemente ao longe
lenga lenga longa sem porquê
fui a um desconhecido
pedi-lhe meia dúzia de informações
alertou-me da bifurcação à frente
mal podia reconhecer-te
com olhos embriagados
dessa turbulência urbana
desta vez parei
e fiquei
na curta reta de chegada
todas as perspicácias
todos os esbarrões desfarçadamente propositais
tudo que se aliou e permaneceu instigando
meus bons dias desejam
ansiosamente aqueles que retribui
garantindo-me que assim será
os caminhos nos tomam tempo
e espero-te com a mesa posta
com um medroso sorriso
que pula-me canto-da-boca afora
e um até logo apertado
sem muito querer
pancada forte anuncia
os grossos e apressados pingos
que inundariam o trânsito
de fim de tarde
de fim de semana
de feriado
aquela úmida sensação
de sentir-se só
mais uma anônima
desabrigada de seu abraço
o sol se esfumaça caindo
a ânsia levanta
como se erguesse
a lua que te traz
acalmando todo o desejo contido
as vontades caladas
as falas interrompidas
os suspiros tremidos
não satisfazem-me notícias de jornal
desabafos de terapia
relatórios de esposa
casos de amiga
pego o melhor dos vinis
levanto a agulha
e encaixo o disco
como quem põe criança pra dormir
espero os primeiros timbres
miro os olhos nos teus
disponho a mão que convida-te
só uma dança, digo acanhada
preciso do toque dos seus dedos
de um pedido atendido
desse encontro de pele
atormenta-me de alegria banal
dá-me calafrios bobos
perpetua-te nos meus braços
no infinito de uma canção
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