que coisas ocas são essas que tanto estrondo fazem?
que nada é esse que completa tanto?
que solidão é essa que aconchega?
esbanjei clichês, abusei das cafonices e sucumbi o brega.
troquei a calça pelo vestido cinza,
que há muito estava ali guardado.
fucei todas as gavetas e fui colhetando batons, sombras, pincéis.
apriselhei as mechas de uma forma inusitada.
subi na sandália e penduriquei-me com coisas prata.
faltava ainda.
o horário marcado ainda não chegara e já estava bela, a espera.
telefone veio avisar que iria-te atrasar.
eu, de paciência não muito latente, já bufava inquieta.
os botões do controle já estavam afundados de tanta troca de canais.
programação ruim essa, pensei.
acho que procurava-te na tela.
procurava, procurava...
e nada de bozinha anunciando tua chegada.
enfim o interfone gritou e aliviei-me.
uma última passadinha de perfume e lá estava, na portaria.
olhei-te com desprezo, intolerância, revolta.
desmanchei toda raiva quando me dei conta.
enganaste-me e adorei.
as velas desconcertantes anunciavam a grande noite.
o jazz de fundo acalentava suas palavras,
e me entreguei a esse charme incondolente e devastador que pairava por ali.
fisgaram-me.
e agora?
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