03 setembro 2009

oh-hoh

como se a visão latejasse
o ritmo ouvido tivesse quebras inesperadas
os sentidos palpáveis se aguçassem,
intensificando cada corte de cena
agoniante
magnética
imprópria
encantadora
instigante


- ei, esse diálogo está errado!
- sim senhora. mas a que se deve tal imperatividade no locus?
- pergunto eu, então, a que se deve tal ponderamento?
- deve de nada, não. tão pouco deve de ironizar.
- mesmo? então, por conseguinte, a que se deve esse atalho indiscreto?
- sobras de cartas não encaminhadas, resquícios flutuantes, quinas de hesitações.
- ah sim.
- viu?
- o quê?
- não me faça ter que dizer.
- seria interessante...
- boa escolha de adjetivo.
- vai demorar?
- eis aí seu por quê.
- perguntei o quê e não o por.
- esse aí? saiu ali, todo camuflado.
- agora vai ser sempre assim, é?
- tá parecendo...
- mesmo, mesmo?
- não fui eu quem coloriu o mapa.

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