03 fevereiro 2009

crônica dos urbanóides litoranos

o cenário com tons pastéis inspira o ar sereno dos matutos. a cidade não possui grandes centros comerciais, os carros não encontros tantos semelhantes. dentro deles, os passageiros podem ser catados durante os curtos percursos e os cintos são, meramente, decorativos - não têm esse costume ainda.

a praça grande da cidade, amarelinha como o resto quase todo da cidade(coisa de prefeito, mas o novo já estava colorindo tudo de azul bebê). é bonita, invejável até. nela, concentram-se o teatro local, um bar com música ao vivo, uma biblioteca e uma academia popular. sim, academias populares. 
pela noite, fica cheia. o pessoal vai em bandos que, ao se cruzarem, se cumprimentam, mostrando familiaridade.

o cinema hoje lotou. no único que há, exibia-se um filme atual às 19:19, e esgotou. terça é dia promocial - três contos a meia. a molecada formou uma fila de falsas esperanças, que chegava a descer a escada e fazer curva. conhecidos por todos os lados conjecturavam o que seria da noite então.

cada um acabou tomando seu rumo e, antes das nove, todos já estavam em casa, mas ninguém reclama. não deu, não deu.

percebi uma enorme divergência com a rotina de cidade grande(por mais que eu não me encaixe nesse padrão): por aqui, as famílias saem juntas. as mães ficam juntas enquanto as crias se concentam noutro canto, assim como quando éramos pequenos.

a rotina é extremamente repetitiva e limitada, mas eles nem percebem - coisa que turista também não percebe. não imaginam como é ter um leque recheado.
o jeito de virar gente grande também muda. não que sejam bobas. nós que somos precoces. a ingenuidade é fofa por demais, mas eles não desconfiam.  achariam prepotência. acho cativante essa pureza de ser, que não precisa se afirmar diminuindo outrens.

o conceito de beleza é mais sincero e justo. o costume não é de usar tanta química e cosméticos pra disfarçar imperfeições.as coisas beças são assim só por serem. mas não pense que digo que é falta de vaidade, longe disso. as meninas se reúnem todas pra descutir esses assuntos de menina.

as visitas não são surpresas ou raras. rotineiras pela falta de opção. assim, conhece-se muito mais parentes, enteados, agrgados e a casa estende as portas. essas, escancaradas mostrando a falta de preocupação.



morri de saudades da multidão, senti falta da calma.

Um comentário:

campbell disse...

eu adoro essa palavra. urbanóides.